A trajetória do Sindilojas tem raízes longínquas, mais exatamente no início da colonização da região. Em 1875, o comércio chegou à região da Serra juntamente com os imigrantes italianos.

Os pequenos proprietários, agricultores, arrendatários e operários que aqui se instalaram viviam em situação de miserabilidade. Os colonos poupavam o pouco que tinham para adquirir o imprescindível e produziam todo o possível em casa. Um troca-troca natural de gêneros integrou as relações e, assim, os moradores iniciaram um comércio modesto.

Excelentes artesãos e agricultores, os colonizadores da região eram comprovadamente ótimos vendedores, conforme confirmam os registros históricos. Prova disso é que três anos após o início da organização e povoamento da Colônia Caxias já existiam 10 armazéns de Secos & Molhados na sede, além de outras 85 casas comerciais espalhadas pelos travessões e léguas para uma população de 3.849 habitantes.

O comércio viabilizou o surgimento de empresas que se transformaram em gigantes dos ramos metalúrgico, vinícola, moveleiro, têxtil e alimentício. Mas a evolução do varejo foi acontecendo junto à dificuldades naturais de mercado.

Na década de 50, o município era considerado o centro econômico da região serrana. A cidade contava com 53 mil habitantes, 420 indústrias e 350 casas comerciais, passando a acompanhar o crescimento acelerado do país. Iniciava uma ruptura dos vínculos existentes entre a colônia e a cidade, conforme relatam as historiadoras Loraine Slomp Giron e Heloisa Eberle Bergamaschi no livro Casas de negócios – 125 Anos de Imigração Italiana e o Comércio Regional.

O período não era de grandes conflitos entre patrões e empregados, mas havia outro problema a ser enfrentado pelos comerciantes: as dificuldades extremas de abastecimento dos produtos básicos como arroz, açúcar, azeite, entre outros de primeira necessidade, todos com uma distribuição insatisfatória, pois dependiam de um transporte complicado e muitas vezes de importações.

É assim que em janeiro de 1953 Avelino Antonio Pasa, proprietário de uma das 70 casas de secos e molhados que havia na cidade, reúne os pequenos empresários e cria a Associação do Comércio de Gêneros Alimentícios.

No dia 16 de março de 1954, a entidade é reconhecida como sindicato pelo Ministério do Trabalho. No mesmo ano, passa a abranger todo o grupo econômico do comércio varejista, e não somente de gêneros alimentícios, passando a denominar-se Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul.

Crescimento acelerado gera mudanças

O franco crescimento do comércio, a necessidade de os lojistas trabalharem de forma associativa e a importância dos dissídios coletivos ganham força na década de 70, impulsionando o fortalecimento do sindicato.

A idealização da sede do Sindilojas, que mais tarde seria chamado de Edifício Sindilojas, iniciou em 1984 com a compra do terreno durante a gestão do presidente Norberto Fedrizzi. As obras tiveram início em novembro de 1987, na gestão do então presidente Carlos Calcagnotto. Interligado com o Palácio do Comércio, o prédio foi projetado pela Boff Pinheiro Arquitetos Associados. A inauguração ocorreu no dia 27 de setembro de 1991, quando Raul Fedrizzi era o dirigente.

A atuação destacada do Sindilojas frente à alta inflação e aos conflitos trabalhistas marcaram a época de inauguração do prédio. O espaço consolida a entidade, viabilizando a melhor representação do varejo.

Atuando com base territorial em Caxias, São Marcos, Flores da Cunha, Antônio Prado e Nova Pádua.

Cronologia

Em 16 de janeiro de 1953, o comerciante Avelino Antonio Pasa fundava a Associação do Comércio de Gêneros Alimentícios, entidade que originaria o Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul (Sindilojas). O principal objetivo era suprir a grande dificuldade de abastecimento local de produtos de primeira necessidade.

A Carta Sindical foi obtida no dia 16 de março de 1954. Esta data marca o início da atuação da entidade como sindicato representante do comércio caxiense. Em 8 de junho do mesmo ano, a associação se transformou em sindicato eclético, passando a receber a atual denominação Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul.

A década de 1960 foi marcada pela centralização das lojas no espaço urbano. A economia crescia a passos largos, mas a atividade comercial permanecia sendo gerenciada de maneira empírica. A venda de produtos de porta em porta ainda era uma realidade do período.

Mesmo com a expansão e fortalecimento do comércio em Caxias do Sul na década de 1960, a falta de recursos e a tímida participação dos empresários resultaram numa atuação discreta neste período. Não havia funcionários nem sede própria.

O franco crescimento do comércio, a necessidade de os lojistas trabalharem de forma associativa e a importância dos dissídios coletivos ganham força na década de 1970, impulsionando o fortalecimento do sindicato. Em dezembro de 1979, nascia o jornal “O Mercador”, primeiro informativo da entidade, assinado pelo jornalista Mário Gardelin.

Nos anos 1980 os mercadores finalizam a construção de sua sede própria. A atuação destacada do Sindilojas frente à alta inflação e aos conflitos trabalhistas marcaram a época de inauguração do prédio, junto ao Palácio do Comércio. O Edifício Sindilojas consolida a entidade, viabilizando a melhor representação do varejo.

O início da década de 1990 foi marcado por perdas significativas para o setor em todo o país, pela queda na demandas e nas margens de lucro. A alta inadimplência e as falências de inúmeras empresas eram resultado da crise econômica. Em meio a este cenário de instabilidade é inaugurado o Edifício Sindilojas em setembro de 1991.

A segunda metade da década de 1990 foi marcada pela consolidação do Plano Real e o conseqüente fim da inflação. Foi nesta época que os estabelecimentos comerciais e o Sindilojas iniciaram o processo de informatização.

O novo milênio marca a atuação do Sindilojas como suporte de qualificação dos empresários do setor. Em novembro de 2002 é criada a Universidade Corporativa do Varejo (Univarejo). Primeira universidade corporativa sindical do país, oferece cursos voltados à realidade do mercado, já tendo formado cerca de cinco mil alunos.